abril 07, 2004

>ORKUT: UM ENSINAMENTO NA (A)MORAL DE EXU

O caso Como Ou Não Como versus Tem Mas Acabou e a criação da elite psíquica da humanidade

Vou partir do pressuposto de que a maior parte dos que me lêem saberá do que eu estou falando, quando menciono a comunidade virtual Orkut (www.orkut.com). Eu mesmo já estava ouvindo falar dela algumas semanas antes de ser convidado por um integrante (é só por convite que se dá a admissão), e lá estou há umas duas ou três.

Então os leitores também saberão que o bom funcionamento dessa comunidade pressupõe um balanço natural entre individualismo (o jeito que a informação pessoal é dosada/ filtrada nas informações e nas fotos) e coletivismo (a interação nos grupos opcionais, criados e mantidos por afinidade de assunto ou de inclinação).

A liberdade quase total ao acessar a informação pessoal de alguém (guardados uns segredinhos íntimos), e de interagir com essa pessoa (através de convites, mensagens, teasers), é compensada com mecanismos por enquanto suficientes de coerção dos inconvenientes (bloqueios individuais, coletivos, e finalmente exclusão). Por enquanto funcionou.

O Orkut pode significar um passo além do ponto onde nos trouxeram os blogs – que, por formato e vocação, são quase como sites corporativos na forma, recheados com conteúdo absolutamente idiossincrático, e raramente (na proporção) interessantes.

(Eu vou elogiar o papel e o funcionamento do Orkut ciente de todos os sinistros complôs que possam estar escondidos por trás da sua conexão com o Google, útil porém malévola criação do Grande Irmão, como se sabe. Mas isso já é uma outra história. O fato é que o Orkut tem sido apropriado com criatividade, provavelmente muito além da esperada por seus inventores.)

Por um lado determinados mecanismos do Orkut são sutis e exemplos de bom-senso (se alguém bloqueia alguém ou o exclui de sua lista de amigos, isso corresponde a uma discreta desaparição do incomodado, sem avisos ou críticas; as exclusões do ambiente coletivo não assinalam a reclamação de onde partiram, para evitar rixas, e em geral são temporárias).

Por outro, determinados mecanismos (os de aproximação romântica/ sexual, principalmente) não parecem muito mais inovadores do que uma versão tecnológica do “correio elegante” das quermesses antigas, ou da amiga (essa é mais atual) que intermedia a “ficada” de dois adolescentes.

Ou seja, Orkut se parece muito com o (e evidentemente é um produto do) estágio civilizatório atual, uma combinação entre a ortodoxia da “correção política” e a heterodoxia da experiência de liberdade individual; entre a superação dos limites herdados e o estabelecimento dos limites escolhidos.

Parece simples e aceitável em palavras, mas, vivenciado como processo, significa a renovação de opções a cada instante (às vezes literalmente, como veremos), o que pode ser considerado uma experiência desgastante pelos espíritos mais apegados, lentos e/ ou comodistas.

Permeia sempre o Orkut a inquietação de aceitar ou não aceitar como amigos aquelas pessoas que você não conhece, aqueles trutas (ou traíras) potenciais que tentam se aproximar. Podemos ficar com o conhecido. Mas pra que montar uma comunidade virtual só com aqueles com que você já compartilha uma cerveja?

And so what ?
Tudo isso para comentar duas ocorrências complementares e esclarecedoras no âmbito do Orkut (particularmente o dos participantes brasileiros, e que escrevem em português): a dos grupos CONC (Como Ou Não Como), proposto por Mr. Manson, e Tem Mas Acabou, na sua versão ponto 4, proposto por Nabor Leandro, de comum acordo com outras pessoas.

Tem Mas Acabou é um deliberado exercício niilista de juntar gente para fazer nada, uma espécie de flash mob zen e virtual, que consiste em agregar o maior número possível de pessoas cuja única e cínica interação é entrar num grupo cujo objetivo é... entrar num grupo. O subtítulo da versão ponto 3 era Tô Com Medo Dessa Porra, o da ponto 4 é Formigas São Bad Trip Por Isso Não Uso Açúcar.

Como Ou Não Como é uma variante virtual daquelas rodas de amigos (ou amigas) que ficam comentando a passagem de indivíduos, em geral do sexo oposto, dando notas ou dizendo “como” e “não como”. No caso, alguém linka o nome (e a foto, e as listas de preferências e características) de alguém, e os outros dizem “como” ou “não como”, acrescentando freqüentemente algum comentário do tipo “como, e depois caso para comer de novo”, ou “como... de porrada”.

Cafajeste, preconceituosa e evidentemente DIVERTIDA, a brincadeira trouxe como única novidade a grande desenvoltura das moças ao comerem (ou não comerem) os caras (e também outras moças), e ao fairplay metro (ou homo) sexual dos caras ao comerem (ou não comerem) outros caras. Quanto aos caras que comem (ou, muito raramente, não comem) as moças, não é nada que não tenhamos visto nos últimos séculos de patriarcado.

Ora, apesar dos objetivos declarados do Tem Mas Acabou de conseguir o crescimento exponencial, ele esbarrou, nos últimos dias da versão ponto 3, depois de todo um esforço (?) de cooptação, em duas centenas de participantes ou pouco mais. E a versão ponto 4, até o momento em que escrevo, não chegou nem à centena.

Já o Como Ou Não Como conseguiu, entre os dias 5 e 6 de março, dar o salto exponencial de 200 e poucos para 400 e poucos participantes, e, quando publico isso, no dia 7, chegou aos 528. Grande novidade, alguém dirá, é um grupo baseado em uma brincadeira maliciosa ser mais bem-sucedido do que um grupo de pressuposto crítico e niilista.

A graça (sem graça) da coisa é que, no dia 6, o grupo Como Ou Não Como estava praticamente auto-inviabilizado, por seu próprio sucesso. Porque o acúmulo de sugestões (às dezenas, às centenas) não já permitia desenvolver ou acompanhar nenhuma chacota minimamente saboreada, resumindo-se o grupo a um bombardeio crescente de links e a um decréscimo enfastiado de comentários por link.

Já a idéia do Tem Mas Acabou, apesar de bacana (e eu provavelmente estarei em quantas versões houver), ainda tem um pouco daquele exibicionismo mental, intelectual (e, aliás, este artigo também tem), por mais que seja exibicionismo de uma boa estirpe – a de dada (o movimento artístico, não a quituteira). CONC é mais tchubidudadá. É a verdadeira falta do que fazer, fazendo.

Exu rules
É aqui que entra, finalmente, o meu balanço otimista. Acredito nas ferramentas virtuais como campo de treino para uma nova elite psíquica que substitua, finalmente, na história da humanidade, as elites financeiras, militares, políticas e sociais. Pra todo mundo não vai ter, anyway. Então que se substitua a usurpação pelo merecimento, e que mesmo o merecimento seja checado a cada instante.

Nuns poucos dias, uma idéia (CONC) surgiu, atraiu os mais atentos, atingiu seu ápice, cansou, e se inviabilizou, exatamente quando se popularizou. De tal modo que no dia 2 ou 3, nos meros cento e tantos participantes, já tinha gente da primeira leva detectando o desgaste da coisa.

Alguns até fazendo comentários irritados contra a entrada de muita gente – e gente que já entrava irritada com os comentários excludentes dos “veteranos” (?). Falou-se em mudar as regras. Não houve mais como (ou não houve mais não como) mudar. O que há de bom nisso? O treino no desapego, como (ou não como) eu já disse. Não há regra contra a morte.

A rede virtual é o território de Exu, da abertura das infinitas possibilidades. Mas a infinitude das possibilidades não só não resolve os problemas, como parece agravá-los, para os espíritos menos ágeis. Alguém não tem mais do que algumas horas para sentar sobre os louros de uma boa idéia, de uma boa frase, de uma boa performance. E alguém não o inveja – porque não o nota. Não dá mais pra viver disso; só dá pra viver nisso.

Nada se fixa, e os indivíduos estão cada vez mais absorvidos pelo processo, de tal forma que parece surgir uma “inteligência virtual”, que só persiste enquanto aquela mente está conectada. É um campo onde alguém se exibe cada vez menos com seus dotes (atléticos, intelectuais, espirituais) do mundo dito real, e cada vez mais com os dotes (psíquicos) da própria virtualidade.

Não são tempos em que a informação, como já se supôs, possa ser apreendida e controlada (e comercializada) como as manufaturas; mas um universo onde a crescente musculatura do psiquismo (por assim dizer) mostra os mais aptos... em serem aptos, os mais habilidosos... em serem habilidosos, os mais rápidos... em serem rápidos, os mais ágeis... em serem ágeis. Processo.

Claro, ainda há alguma contaminação da percepção do “mundo de celebridades”, como ele é vivido na (falsa) realidade. O próprio conceito original do Orkut tinha (ainda tem alguns) mecanismo de reconhecimento de “celebridades-Orkut”. Mas o universo virtual cria cada vez menos seus próprios mitos, e se revela cada vez mais como um universo de verdades perto de absolutas, porque são processo, são dinâmica, e não dogma, cristalização.

Ronaldinho seria perneta no Orkut; Britney seria bidimensional no Orkut; Lula (ou FHC) sequer existiria no Orkut; por mais (aliás, por menos) que sejam citados nas predileções pessoais. O grande Daminhão Experiença, por outro lado, está lá, em pessoa (http://www.orkut.com/Profile.aspx?uid=5410294563756109490). E Mr. Manson (quem?) rules. Lívia Brandão (a mais comida) rules. Exu rules.

E eu como. Ou não como.
(publicado na revista Bala)

Publicado por allxsexs às abril 7, 2004 04:24 PM
Comentários

OLha seu Alex,

muito bacana o texto, mas a sua linha fina do mesmo, um tanto burocrática, é digna de um tópico nesta comunidade também:

http://www.orkut.com/Community.aspx?cmm=37935

[s]

Publicado por: felipe às abril 7, 2004 05:45 PM

Pena que vc tenha que ser membro do ORKUT p/ poder
visitar o link do Daminhão !!
www.orkut.com/Profile.aspx?uid=5410294563756109490
Não sou ainda.

Publicado por: donkey às abril 7, 2004 07:08 PM

bacana seu texto. legal o orkut levar a reflexões interessantes. achei muito legal vc relacionar com as flash mobs o tem mas acabou.

minha opinião, reles, como computeiro que usava gopher e mosaic em 94-95 é que o orkut serve para pessoas se conhecerem e para os motivos escusos que vc, propriamente, descofia ;-)

é um espaço de sociabilização com a maior característica da web que é a de alta segmentação (por ter communities o orkut funcionou e o friendster não), daí seu forte potencial.

gostei do artigo

eu como sim, estou comendo, tem gente que não come, está morrendo... ;-)

http://www.orkut.com/Profile.aspx?uid=170356674732457685

As assinaturas do futuro serão links pro orkut...

Publicado por: kenji às abril 7, 2004 07:27 PM

Ainda sobre ad-hocracias meritocráticas: sinto falta no orkut de uma medida mais "palpável" da sua influência na comunidade - algo baseado no que você escreve, por exemplo, ao invés das opiniões dos outros sobre você. Algo como o karma no http://www.slashdot.org ou a sua reputação no http://www.everything2.com ...

Gostei da idéia de assinar com links:
http://www.orkut.com/Profile.aspx?uid=11361639191887551099
http://www.everything2.com/index.pl?node_id=1478483
http://slashdot.org/~muriloq

Publicado por: muriloq às abril 7, 2004 07:46 PM

Mandou muitíssimo bem! Que venha a ad-hocracia meritocrática ! Já leu os livros do Lawrence Lessig (http://www.lessig.org/) e do Cory Doctorow (http://www.craphound.com) ? São "free as in beer", alguns "free as in speech", e falam exatamente desse assunto.

Ainda sobre ad-hocracias meritocráticas: sinto falta no orkut de uma medida mais "palpável" da sua influência na comunidade - algo baseado no que você escreve, por exemplo, ao invés das opiniões dos outros sobre você. Algo como o karma no http://www.slashdot.org ou a sua reputação no http://www.everything2.com ...

Gostei da idéia de assinar com links:
http://www.orkut.com/Profile.aspx?uid=11361639191887551099
http://www.everything2.com/index.pl?node_id=1478483
http://slashdot.org/~muriloq

Publicado por: muriloq às abril 7, 2004 07:47 PM

isso é cabelo grande?... hihi

Publicado por: mariana lima às abril 7, 2004 10:39 PM

vai, volta, vai, desce, sobe (pra cima e pra baixo) e no final mata um pássaro ontem com uma pedra que jogou hoje. e sai correndo, devagar, sem deixar ninguém entender nada. seu texto? acho que entendi. ou não entendi também. mas gostei da brincadeira com exu. vc deveria ter exercido mais o ponto que tinha na mão. perdeu uma chance, eu acho. pq, se tem alguém que come, é ele.

Publicado por: paulo jorge às abril 7, 2004 11:16 PM

Gostei muito do texto!

http://www.orkut.com/Profile.aspx?uid=3703934151110889990

Publicado por: David Robert às abril 8, 2004 08:08 AM

fala, fala, e me comer que é bom, nada.

UHAUHAUHUHA

beijo!

Publicado por: ladybug às abril 8, 2004 12:46 PM

fiz uma triagem em meu orkut list hj. muita gente bacana tava linkada, mas com o propósito de estar linkada por estar. não gostei disso. decidi fazer uma faxina e reestruturar os conceitos da coisa. funcionou.

Publicado por: Ricardo Branco às abril 8, 2004 09:01 PM

...fodaço o texto, a alusão a Exu é genial. A parte sobre a inteligência virtual, o fato de nada se fixar, esculachou.

Não moro no Brasil, moro no Amapá. Sou carioca e estou exilado aqui por motivos profissionais. Não conheço gente descolada, não sou hype nem metrossexual. Tenho curiosidade por essa bagaça de ORKUT, e não tenho esperanças de q ninguém me convide. Vai ver nem é grande coisa. Ou quando tiver oportunidade, já vai se esgotar, se já não se esgotou. Isso parece um pedido, e é. Assim na cara dura. Chego a ficar com vergonha disso, mas o anonimato me encoraja. E aí, meus dados estão aí. Quem se habilita ? Duvido q alguém leia essa merda.

Publicado por: alemòn às abril 12, 2004 06:00 PM

Bem..acabei de ler teu livro "Estratégia Lilith".Muito loucas loucas as hitórias!!Consegui o livro por intermédio da Larissa(Macapá), agora deixando os elogios de lado..vou fazer um pedido bem descarado :EU QUERO UM!é possivel???Espero que sim!Bjico!

Publicado por: camila às abril 15, 2004 06:40 PM

O Orkut é divertido por sua estrutura caótica. Quando deixar de ser caótico, acabará a diversão e teremos todos que achar outro brinquedo.

Publicado por: DaniCast às abril 22, 2004 11:42 AM

Fala Alex,
Como vão as coisas por ai?
Acho muito interessante essa história de que o próprio sucesso inviabilizou um projeto. Lembra um pouco as rádios virtuais que quanto mais ouvintes menos são possíveis. Uma inversão irônica e subversiva da coisa toda. temo que isso vai roubar meus pensamentos e reflexões. rsrs

Publicado por: Henrique às abril 28, 2004 02:34 PM

Nossa, vou realmente ficar tiete sua. To adorando estar no Orkut. Enfim um espaço que nao é chato, onde você pode falar, brincar, dar longas risadas, brigar, namorar, casar, separar, divorciar, e ainda absorver idéias, trocar idéias e de idéia. O virtual tem uma vantagem sobre o pessoal, que rompe com o olhar físico estereotipado do ser "aceitável do ponto de vista social fashion" possibilitando aproximações de cabeças pensantes e transgressoras das normativas da vida. Isso pra mim e fantástico.

Publicado por: Moema às abril 30, 2004 10:47 PM

Muito bom...

Publicado por: Esther às maio 1, 2004 11:52 AM

Oi, alex. Tudo bem? Fiquei surpresa quando apareceu uma mensagem no Orkut perguntando se queria ser sua amiga. Pensei comigo:esse nome não me é estranho... olhei seu profile e matei a charada, eu lia a BIZZ, fazia coleção da revista.
Então o mundo gira e estamos todos conectados. Um abraço!

Publicado por: Marília às maio 10, 2004 09:53 PM

Quanta abobrinha... Você deve ser bastante desocupado para perder tanto tempo escrevendo um texto tão... Deixa pra lá. E mais desocupado sou eu que me dou ao trabalho de comentar. Tsc tsc tsc...

Publicado por: Cristiano às junho 19, 2004 09:13 PM

Adorei seu texto que achei por acaso enquanto buscava outra informacao. A parte mais interessante é a análise que vc faz do espaco virtual como essa "inteligencia coletiva" e das infinitas possibilidades da Internet que terminam por agravar ao inves de resolver problemas. Nao seriam essas redes virtuais os "campos experimentais" de um futuro realmente coletivo?

Publicado por: Agnes às abril 8, 2005 08:24 PM

só tem doido nessa bagaça, o mais bonzinho da cabeça não escreve nada com nada e eu acho que esse sou eu rsrsrsrsrsrsrsrsrs!!!!!!!!!

Publicado por: Carlos às junho 7, 2005 02:15 PM

muito legal

Publicado por: murilo às janeiro 14, 2006 07:44 AM

quero fazer um orkut agora

Publicado por: giorgio às janeiro 25, 2006 12:12 PM

por favor faça um orkut pra mim!!!!tah?////

Publicado por: Larissa Yuka Kobashikawa às fevereiro 6, 2006 01:30 PM

a vida se baseia num eterno baseado

Publicado por: carnerim às fevereiro 19, 2006 07:11 PM

Interessante ler isso em 2006.
Até porque todo o eventual deslumbre inicial com o orkut já acabou!
A novidade é fugaz.
Entretanto as comunas do estilo "tem mas acabou" me parecem, nesse momento, estarem superando a temática conc...
Até porque o exercício niilista não se esgota em uma forma simples. ele se reinventa. E, [rufar de tambores] sequer necessita que haja interação. A grande comunidade pode, nas versões tem mas acabou, ser usufruída como simples masturbação intelectual... a solidão é permitida e, muitas vezes, até mesmo desejada nestas situações.
Em Joselitos do meu Brasil uma das brincadeiras favoritas é contar até dez sem ser interrompido por quem quer que seja. É interessante esse exercício: no fundo no fundo é como dizer: conexão é uma falácia. estou sozinho aqui. E pouco me importa que 247852145 pessoas estejam conectadas a mim através de meus 78 amigos.

Publicado por: Ane Brasil às junho 9, 2006 12:41 AM

MUIIIIITO MASSA MESMO MEU!!!! POD CRÊ...

Publicado por: kelliy suyane às julho 27, 2006 03:16 PM