maio 28, 2011

>TERROR NO AEROPORTO PINTO MARTINS

Um aeroporto não é parte da cidade, é parte da viagem. Os aeroportos são todos tranqulizadoramente iguais, ou quase. Eu gosto muito do de Cuiabá; pelos banners parece que você está chegando perto do mato (na verdade está). Mas só há uma cidade que nos ofende já no aeroporto: Fortaleza. É só você sair do finger e penetrar no corredor de desembarque, e já há uns anúncios gigantes daqueles hediondos comediantes locais maquiados. E, se você tiver o azar de ir para os lugares errados, só piora.

Mas Fortaleza não é essa cidade de imbecis, de comediantes, especulação imobiliária e turismo sexual. Do pior de dois mundos, uma cidade prostituída e arrogante ao mesmo tempo, o império da Tassia (Jereissati). Pesquisando um pouco sob as aparências, tem toda uma tradição de inteligências boêmias e alternativas, que passa pela Padaria Espiritual, pela Massafeira, e chega aos artistas “no exílio” que são tão queridos em São Paulo e no resto do Brasil: Cidadão Instigado, Karine Alexandrino, Daniel Peixoto (desde o Montage), o povo do Jardim das Horas, do Fóssil... Gente sensível, ou mordaz, ou brilhante, ou transgressiva, ou tudo isso junto. Mas parece gente que veio de Marte, e não de Fortaleza.

Uma vez, quando ia escrever sobre o Montage para a Bizz, impressionado com o fato do Ceará ter entregue a banda eletro-sexy que SP estava devendo há anos, liguei para Karine para perguntar o que a cidade tinha de bom, pra gerar tantos projetos legais (eu já estava atento antes disso ao Forma Noise, ao Realejo Quartet e a todo um sofisticado ambiente criativo que parecia existir). “De bom não, de ruim”, disse ela. “Aqui não é como Recife, que tem a ‘febre do edital’ (risos), que todo mundo apóia. Só se sobrevive artisticamente aqui com muita convicção”.

Anos depois, conversando com o Felipe Gurgel (cara à frente de outro projeto muito bacana, O Garfo) me dei conta de que Fortaleza tem uma síndrome parecida com a de São Paulo, a do cosmopolitanismo blasé: “Já vimos tudo, e toda novidade é uma merda, até prova em contrário”. Como em SP, não há o benefício da dúvida, as pessoas se chocham, os núcleos de produção (como já foi em Belém, o que foi corrigido pela própria potência da cena) conversam mal, não conseguem desenhar estratégias conjuntas.

Amigos, vou revelar uma coisa: os artistas todos do mangue beat não se amavam. Como em qualquer lugar, em Recife havia (há) invejas, disputas, rancores, maus humores diversos e variados. Mas há uma inteligência estratégica e um apreço pela cultura local que pesa mais que isso. Por exemplo, o manifesto que está estampado no primeiro disco da Nação Zumbi não foi escrito por Chico Science. Ele vem da pena e da inteligência coletiva de Fred Zero 4, de Renato L, de HD Mabuse, de Helder “DJ Dolores” Aragão (que, aliás, foi quem chamou minha atenção para o Cidadão, já no primeiroEP). Mas ninguém morreu de despeito (apesar de ficar meio assim) quando Chico estampou o manifesto em seu álbum sem assinatura. Ou garfou uns versos de Otto (aquela listagem de bairros) em “Rios Pontes & Overdrives”.

Não digo isso para sacanear Chico, mas para demonstrar que seu “cérebro remixador” funcionava assim, capturando fragmentos da inteligências coletiva e os reordenando em um projeto – e uma mitologia – pessoais. (Miles Davis – que é Miles Davis – “incorporou” música até do Hermeto Pascoal). Quando Chico saiu à frente, ao invés de ser objeto de chochação, a cena festejou seu desbravador e veio atrás. Fico imaginando o que aconteceria em Fortaleza se, como Chico: a) um cara abortasse uma coletânea com várias bandas ao ser contratado por uma gravadora; b) o cara usasse uns versos alheios com um certo à vontade; c) um cara tomasse pra si o manifesto do movimento, do qual ele não escreveu uma palavra. ENCRENCA brava, certo?

Por muito menos (volume do PA), anteontem meus amigos recentes Glaubim Holanda e Ivan Timbó saíram detonando a produção da Mostra Petrúcio Maia (que me trouxe aqui, para o júri), supondo que seu som foi deliberadamente sabotado para desmerecer a cena local e projetar o Macaco Bong (como se o Macaco precisasse disso). Não vou aporrinhar muito o Glaubim e o Timbó – porque apesar das cenas de paranóia e teoria da conspiração explícitas, metafisicamene eu sei do que eles estão falando. Dessa sensação de despertencimento, de desconforto artístico, de serem tungados em sua própria terra. Eu venho de SP, e lá é assim (ou melhor, tem sido – um novo movimento já está em curso, confiram no noticiário).

Vamos voltar lá no Chico Scence. O que permitiu esses arranjos estratégicos, do Chico sair à frente e virar um herói – e não um traidor – em sua terra, abrindo o Brasil para a cena pernambucana, é expressão não de peleguismo dos recifenses (eles conseguem ser bem invocados se precisar), mas de um conforto e de um pertencimento que não colocou os caras na ofensiva uns contra os outros, mas na mesma trincheira, contra a burrice, a tosqueira e a caretice. Ao reinver Pernambuco, eles reiventaram para o Brasil, eles reinventaram o Brasil.

O Otto, por exemplo, que era júnior no Mundo Livre, agora está de novo na linha de frente. Eles diriam, como disse o brother do Good Gardem (sic) outro dia num debate no Bom Mix, DESTA VEZ NÃO FUI SELECIONADO, MAS ME CONSIDERO REPRESENTADO. Já na discussão virtual sobre o PA da Mostra, outro amigo meu que sabe das coisas e tentou ser sensato, foi chamado de lambe-saco ou coisa que o valha.

Nos três anos que eu participei da Mostra Petrúcio Maia e/ou da Feira de Música de Fortaleza, vejo cada vez mais coisas legais surgindo aqui. Me interesso pelo som do Vitoriano, do Macula, do Jonnata Doll, do Baque Lírico, do Rodrigo de Oliveira, do InNo Sense e de mais uma boa quantidade de coisas (não serei mais específico porque estou no meio de um processo de seleção). Na mesma medida que achei deprê a discussão da quinta-feira, na Mostra Petrúcio Maia, achei sensacional como a noite foi esquentando na sexta, com os Ska Brothers, com o Grite Grite Outra Vez... – sendo que esse com a participação do mesmo revoltado Timbó da quinta.

Ora ora, a menos que alguém crie uma teoria da conspiração para explicar porque os shows da quinta deveriam dar errado e os da sexta certo, vou voltar à lição do mangue beat: um pouquinho de estratégia conjunta, de “se sentir representado”, e não “se sentir sabotado”, vai fazer bem pra cena como um todo (segundo o rabino Nilton Bonder, o céu e o inferno estão presentes nesta dimensão – é só vibrar um ou o outro). Não precisa ser como no Rio de Janeiro, onde exceto o Lobão, o Lulu Santos e o Ed Motta todo mundo ama todo mundo (e a Globo paga a conta). Mas ser como aqui, todo mundo desconfiar das motivações de todo mundo, também é um exagero.

Um dia destes ainda vou sair naquele aeroporto e topar com um anúncio de um artista local de que eu goste, e não dos deprimentes humoristas cearences maquiados. Não quero morrer de susto e de depressão toda vez que desembarco aqui, me ajudem. Seguimos na conversa...

Publicado por allxsexs às maio 28, 2011 04:53 PM
Comentários

. Muito bom o artigo . publique-se .

Publicado por: Glaubim Holanda às maio 28, 2011 05:35 PM

Concordo, é realmente uma pena que as pessoas ainda estejam com a cabeça enfiada num burraco como avestruz, e assim esquecem de VER o mundo a seu redor.

Obrigado Alex por conseguir colocar tão precisamente um sentimento que tenho desde de que pisei em terras alencarinas a 10 anos e principalmente agora em que moro aqui.

Publicado por: Albert Agni às maio 29, 2011 12:41 PM

Há só para lembrar, sou recifense e perticipei durante muitos anos da cena musical de lá fazendo iluminação e/ou direçao de palco.

Publicado por: Albert Agni às maio 29, 2011 12:46 PM

Gostei das observações. Bonito ver uma cena se desenhando de 15, 20 anos pra cá. E ela por princípio é totalmente diversa e talvez encontre dificuldades de rótulos.Mas produz bons frutos.
Sou músico e educador musical, participei e participo de trabalhos artísticos na cidade de fortaleza.Acredito na tendência de que se tenha cada vez mas espaço pra todas formas de arte sonora.Abraço.

Publicado por: Colean às maio 29, 2011 04:05 PM

Marte é aqui Alex. O Cearense cria raízes pra dentro e sai com elas mundo afora, esse judaísmo alencarino colabora muito para a riqueza que caracteriza nossa cena musical, tão vanguarda, tão diversa, tão marciana e por isso tudo tão interessante.

Publicado por: Oscar às maio 30, 2011 08:38 AM

É claro que um evento pontual como a mostra petrúcio maia não vai poder abarcar todos os afins, Cicero e Eu, ambos da The Good Gardem, nos sentimos representados sim nesta edição, você relatou com uma clareza enorme os fantasmas dessa cena Alex,onde existem contradições diversas que ninguém explica, ex: Saia na periferia de Fortaleza e pergunte quem é Daniel Peixoto, ou montage dá no mesmo, você verá que é um mero desconhecido, Por Que? Vai saber! Recife é um lance mais regional, isso falando de estilo é claro, aqui tentaram fazer algo = , tipo o movimento cabaçal, finado graças a deus! Não somos (Fortaleza)ligados em regionalismos, isso não é desrespeito, é apenas constatação. Mas realmente temos muito a superar mesmo, pensar maior e cada vez mais maior significa superar esses surreais entraves.

Publicado por: Georgiano de Castro às maio 30, 2011 01:56 PM

alex antunes ,parabens de sempre. e que bom desalojar as coisas . desarrumar a casa ...abraço
e viva marte..

Publicado por: otto às maio 31, 2011 09:36 AM

Claro, seu texto é bem interessante e não podemos ficar aqui achando lindo os ET's que saem daqui. Há anos que sabemos que qualquer estratégia cooperativa poderia gerar mais estrutura nessa relação de produção e visibilidade, problema é que lidar com artistas é lidar com egos e, nesse problema, o complexo de corda de carangueijo (onde um pisa na cabeça do outro) é o que impera por aqui. De vez em quando vemos algumas tentativas, como o "ó o auê aí ó" ou o coletivo "Bora" mas, bora pra onde? Sou contra o pragmatismo, mas as vezes, um pouquinho de objetividade não seria tão ruim. problema que um sempre sai achando que o outro ganhou mais (grana, espaço, "moral") e aí as coisas efetivamente esfriam. Processos colaborativos ou minimanete coletivos nunca vingam, sempre tornam-se águas passageiras, aí, quem se destaca um pouquinho, vai pra SP ou RJ, aí o sapato fica com salto menor...

Publicado por: Alexandre greco às maio 31, 2011 09:51 AM

O que fazermos para as melhorias de uma cultura rica. Mas perdida no tempo. Reescrever a passado com mais detalhes encontrados? Façam um recomeço da História?. Abraços.

Publicado por: Hilton Melo Frota às maio 31, 2011 11:01 AM

Alex, eu aqui no meu cantinho dessa terra quente só posso parafrasear o Oto Lara: O Cearense só é solidário no cancer..

Publicado por: Roberto às maio 31, 2011 11:37 AM

Oi Alex, muito bacana suas reflexões. Fortaleza é mesmo uma cidade sequelada pelo fim das memórias. Não existe passado, mas uma sequencia de shopping centers horrorosos que serão destruídos quando uma nova onda chegar. E assim é o ambiente artístico, as relações e as propostas culturais. Desapegados do passado, da cultura tradicional. Isso é o que de fato faz a diferença entre Fortaleza e Recife. Não vivemos as saudades da capitania que deu certo. Mas também é esse desapego que confere ao cearense um gosto ímpar pelo novo. Por isso mesmo temos Cidadão, Karine, Daniel, Jonnata e mais aquele série de nome bacanas que você citou. Todos criadores sem apegos a sotaques, casas grandes ou senzalas. Quando penso sobre a revolução provocada por Chico Science tão bem descrita em seu texto, lembro da obra de Ednardo que lá nos 1970 usava o maracatu como fio condutor de sua música. Sim, claro, outros tempos, outras tecnologias. Mas sem dúvida, faltou um espírito de coletividade que pudesse conferir ao Pessoal do Ceará o status de movimento. E não vai ser diferente. Em alguns momentos, as "raizes pra dentro" – tão bem descritas acima pelo Oscar – se encontram e geram novos produtos, e outros e mais outros. O cearense é solidário na liberdade.

Publicado por: jackson araujo às maio 31, 2011 12:37 PM

Eu estava discutindo com meu amigo Felipe Gurgel agora há pouco pelo gtalk sobre esse texto do Lex, o qual já tinha lido mas a respeito do qual, até então, não tinha me manifestado. Encontrei momento vago na correria do dia e agora aqui vão meus dois centavos sobre o assunto, rsrs.

Em dado momento da conversa com o Felipe, ele disse algo como "o Alex identificou que isso é do músico cearense" ao que retruquei "não, isso é do CEARENSE". Referíamo-nos a esse desdém mútuo, do qual o stress do Da Smokers nem chega a ser reflexo exato a meu ver, apesar de que, assunto à parte, me solidarizo com o problema que enfrentaram na Mostra. Enfim.

Mas voltando: no interessante bate-papo ocorrido em 2006 e transcrito para o seguinte site http://www.oesquema.com.br/trabalhosujo/2006/07/22/a-historia-oral-de-uma-fortaleza-interior.htm, lá pelas tantas, o Dustan Gallas (Cidadão Instigado) manda a seguinte: "Aqui em Fortaleza não existe o exercício cultural/folclorico de Recife e Salvador, não… Fortaleza é um balneário esculpido nos últimos 20 anos pra se ser essa Miami meia-boca que se tornou. É raro um prédio histórico preservado", após quê, mais à frente, solta outra boa, dessa vez se referindo à geração de Fagner e Ednardo: "Eles também devem ter tido um processo parecido com o nosso. (...) A celebração da cultura cearense junto com a vontade de sair daqui."

Achei interessante ele ter referenciado o desapego com algo de cultural na nossa identidade, porque encaixa com algumas de minhas convicções a respeito de muita coisa estranha que rola por aqui. Coincidiu de, na época em que eu achei o bate-papo do site (tem mais gente falando lá: Karine Alexandrino, Catatau, o pessoal do Montage etc.), eu estar pesquisando a formação da nossa urbe desde o fim do século XIX e entrando pelo começo do XX até hoje - nossa belle époque. Todos os resquícios atuais de arquitetura daquele período evidenciam arremedos (muito mal macaqueados, diga-se) de matrizes estéticas dos grandes centros europeus. Outro exemplo: nossa catedral (que é até mais tardia, diga-se: anos 1970 - o que mostra que o processo teve continuidade) corresponde ao padrão neo-gótico europeu moderno. Isso tudo é bastante sintomático. Fortaleza não gosta de Fortaleza. Talvez tenha a ver com o mar ali, sempre pertinho ("o que há além dele?"), algo que alimente nosso escapismo, não sei. Mas isso tudo acaba resvalando na maneira como lidamos (ou deixamos de lidar) uns com os outros. O propósito do "conselho" deixado pelo Lex no texto dele é dos mais nobres e acerta, sim, no dianóstico, mas talvez se equivoque quanto ao remédio - isso na minha visão meio pessimista (há mudança possível numa mentalidade talvez pordemais enraizada?), meio otimista (por achar que esse modelo "for export" é onde afinal o cenário local encontra sua bem-sucedida vocação natural).

Curioso eu estar falando disso agora e me vir à mente uma certa tarde em que eu estive numa reunião presencial que penso ter sido embrionária para o que, pouco depois, viria a ser a Rede Cem (no extinto Hey Ho - casa esta que foi uma das inúmeras iniciativas pró-formação de cena que a cidade já teve. Sintomático também?) e rio quando penso nas várias vezes em que pensei em tomar a palavra pra dizer "galera, isso não vai dar certo." Ainda bem que eu estava errado, porque tenho visto, pra citar dois exemplos que são fruto das atividades da Rede, o puta crescimento que nossos festivais vêm obtendo a cada ano e a ocupação de espaços que acabam gerando pressão demandatória junto à esfera pública por maior apoio ao músico - e que temos obtido, dentre outras formas, com a continuidade da Mostra Petrúcio Maia.

Espero não ser tomado por alguém que torce contra o que tem sido feito. Mas acho que é por aí.

Publicado por: Airton S às maio 31, 2011 05:20 PM

Porque Fortaleza bebeu muito, virou uma cidade addiction, autosabotadora, egoísta a ponto dos neurônios-espelhos só darem ouvidos ao que é canalha, cafajeste, espertalhão. Porque Fortaleza se alcoolizou/drogou e se alcooliza/droga demais, virou algo psicótica, paranóica, levada ora pelas fantasias da euforia e ora pelos fantasmas da disforia... É uma cidade em depressão profunda, tanto que é comum a falta de remédios antidepressivos e antipsicóticos nas farmácias... Havia uma chuvinha de Inteligência nas gotas de álcool que caíram em certas madrugadas, mas isso foi nos tempos dos finados petrúcio maia e augusto pontes... o relampejar das antigas libações encantadoras cristalizaram, viraram soberba e a cidade dos boêmios realistas, perdeu a moral simples e virou uma capital de arrogantes, de pessoas em moral composta, sonâmbulos, inconscientes, de bílis negra, de sistema humoral, de humor tomado pela ressaca...
A prostituição não é só físico-sexual, acontece no eros da cidade também, sobram bajuladores, calculistas, interesseiros, truqueiros, portanto, engana-se que estejam desunidos, estão todos unidos pela idéia de formar panelinhas, a questão que os embaraça é o instinto de coronel, a mentalidade de coronel continua entronizada, e esta mentalidade localizada no invisível está ancorada nas pessoas em crônica crise de auto-afirmação, neurose/psicose típica de quem precisa emitir sinais exteriores de ter saído da miséria/fome... em fortaleza todos querem ser o coronel da panelinha...
Outrossim, separaria Karine Alexandrino e Fernando Catatau dos demais. Brigadeira Karine, a grande work-in-progres hoje no BR, 10,15,20 anos à frente. Coronel Catatau excelente, mas em risco do feitiço da corte. E não citaria Nilton Bonder como rabino, há outra Cabalah, em Fortaleza sobretudo...

Publicado por: @nortonlimajr às maio 31, 2011 08:27 PM

Alex Antunes... parabéns pela percepção, alguém precisava falar isto sobre Fortaleza:
1) "tradição de inteligências boêmias";
2) "uma cidade prostituída e arrogante";
3) "hediondos comediantes locais";
4) "desconfiar das motivações de todo mundo..." (pananóia > neurose > psicose > esquizofrenia)

Publicado por: @nortonlimajr às maio 31, 2011 08:30 PM

Bem já havia comentado sobre o assunto nesse - http://cooperativaunderground.blogspot.com/2011/02/futebolmusicaimprensa-cearense-qual.html

Alex foi feliz em construir uma reflexão tão profunda sobre o panorama cultural de Fortaleza, mesmo ele já tento passado outras vezes na cidade só alguém com um feeling apurado saberia desentrelaçar nuanças tão importantes.
"EM NENHUMA CIDADE DO PAIS A FRASE - SANTO DE CASA NÃO OBRA MILAGRE FUNCIONARIA TÃO BEM"

NÃO SOMOS BAIRRISTAS MAS TAMBÉM NÃO RECONHECEMOS OS VALORES QUE AQUI ESTÃO.

RECEBEMOS MUITO BEM TURISTAS, MAS TRATAMOS MUITO MAL OS DE CASA.

TEMOS COMPLEXOS DE INFERIORIDADE MAIS EXALTAMOS MODISMOS DE FORA QUE NÃO DURAM UM INVERNO.

SE PUDEREM LEIAM O TEXTO QUE CONSTRUÍ SOBRE ASSUNTO. ENDEREÇO ESTA ACIMA.

Publicado por: Cicero Alexandre às junho 1, 2011 12:49 AM

Quem é esse Alex, que disse tudo de uma vez?
Me espantei com sua linha de pensamento claro e direto. Bem vindo ao meu mundo!

Publicado por: Airton Montezuma às junho 1, 2011 10:09 AM

Admito minha indisposição (que não é um ranço) para discutir esse assunto publicamente, tanto que o Airton S e o próprio Alex mencionaram meus comentários no contexto de conversas particulares.

Mas fico muito satisfeito de ver como esse texto ajudou a mobilizar uma discussão (ontem na TV O Povo foi pauta de um programa da grade) sobre a cultura local, sem o filtro do politicamente correto orientando as diversas colocações.

No final das contas, a grita do Glaubim e do Ivan Timbó tem resultado em reflexões mais interessantes em relação àquelas do discurso de origem do protesto no Facebook. Ainda bem.

Publicado por: Felipe Gurgel às junho 1, 2011 02:20 PM
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